Newsletter WUPJ #72 - Entrevista com Miriam Vasserman.

1. Como iniciou a vivenciar o judaísmo progressivo e há quanto tempo passou a fazer parte de uma comunidade judaica progressista?


Uma das missões mais importantes da World Union for Progressive Judaism na América Latina é justamente o de auxiliar as nossas comunidades progressistas a superar os obstáculos e manter as tradições e valores do judaísmo.

Tão diferente quanto nossas comunidades, são as regiões onde elas se encontram e o formato da população judaica em cada local é parte da razão das peculiaridades. Ou seja, não existe um retrato único das comunidades judaicas latino-americanas. Por razões sociais, políticas e econômicas temos congregações com diversos tamanhos, linhas, problemas, necessidades e contribuições diferentes para nossa região.

Com o intuito de promover o judaísmo progressista, realizamos inúmeras atividades que estão ao alcance de todos, como encontros de jovens, seminários rabínicos, palestras com scholars e, principalmente, a troca de experiências e vivências entre integrantes de diferentes comunidades.

2. Desde quando trabalha para a WUPJ na América Latina?

A crise de 2002 na Argentina catalisou a formação de uma força-tarefa americana, chamada Yad be Yad Task Force, que em conjunto com o WUPJ, iniciou um trabalho de assistência social no país.

Nos últimos 10 anos a WUPJ-LA foi formalmente estabelecida e estou envolvida com este trabalho desde então. Com a força de muitos voluntários, conseguimos viabilizar a captação de recursos inicialmente com entusiastas e, posteriormente, com instituições internacionais e parceria com instituições locais já estabelecidas. Aa WUPJ-LA contribuiu visivelmente para recuperação e continuidade do judaísmo na região. Com a melhora da condição econômica na Argentina, houve espaço para atuação do "Yad be Yad Task Force" em outros centros no sul da América Latina. Depois, tivemos 4 congressos regionais realizados em 2004 (São Paulo – Brasil), 2006 (Punta del Leste – Uruguay) , 2008 (Rio de Janeiro – Brasil), 2012 (Buenos Aires- Argentina). No ano que vem teremos mais um congresso regional no Brasil e, em 2015, a convenção bi-anual da WUPJ International será no Rio de Janeiro.

3. Qual é o trabalho da WUPJ na Região?

Faço parte de uma família de imigrantes alemães que se estabeleceram no Brasil. O caminho natural era frequentar a Congregação Israelita Paulista, uma de nossas maiores instituições afiliadas à WUPJ na América Latina. Lá, além da vivência judaica nas cerimônias religiosas, também fiz parte do movimento juvenil. Quando casei, meus filhos também passaram a frequentar a CIP e, depois de uma longa temporada vivendo nos EUA atuei como voluntaria na Congregação Kol Ami de Nova York. De volta ao Brasil, assumi diversos cargos na diretoria das áreas de culto, comunicações e juventude de minha congregação. Há dez anos fui convidada pela WUPJ a fazer parte de sua diretoria e fui eleita presidente da WUPJ Latinamerica.

4. Qual o objetivo de sua recente visita ao Chile?

O Chile possui uma comunidade judaica importante e temos como objetivo mostrar que é possível ter uma vida religiosa plena mesmo convivendo com pessoas de outros credos e em uma sociedade globalizada. Além disso, vim conhecer de perto o trabalho realizado na congregação Ruaj Ami, uma de nossas afiliadas mais recentes à WUPJ-LA. Somente assim, conversando com as pessoas e conhecendo o local, podemos realmente ter certeza de como incluir essa comunidade nas nossas ações, promovendo eventos, seminários, visitas de líderes religiosos.

5. O que pensa sobre o status do Judaismo Progressista no Chile?

Reconheço que a comunidade judaica chilena é um pouco tradicionalista, mas acredito que muitas pessoas vivem de uma maneira que podem se identificar com o judaísmo progressista. Nossa experiência mostra que podemos ter êxito no aumento de frequentadores de nossas instituições, sinagogas e escolas. É uma das maneiras que encontramos para encarar desafios como assimilação, a dificuldade de atrair jovens para a religião e a atualização de conteúdo judaico, acompanhando o mundo moderno.

6. Rabino Joel Oseran, em sua última visita, disse em uma entrevista para Anajnu, que acreditavam que Israel estava se movendo em direção a um pluralismo religioso. Isso coincide com este diagnóstico e acredita que isso se reflete também na América Latina?

Concordo plenamente com o rabino Oseran. Em Israel, temos as mais variadas correntes do judaísmo convivendo. Lá, nossos maiores desafios envolvem temas polêmicos, como o direito de mulheres rezarem de forma igualitaria no Muro das Lamentações. Também existe um questionamento muito forte sobre o motivo de o judaísmo progressista e reformista ser visto de uma maneira diferente do que a ortodoxia. Aqui na América Latina, isso é um pouco diferente. Temos outros desafios e o judaísmo progressista é uma opção autentica a nossa realidade para se manter os valores e tradições judaicos, inseridos em um contexto maior, da sociedade em que vivemos, no Chile, no Brasil, na Argentina ou em qualquer outra parte do mundo.