Edição # 104 - julho de 2016 / Sivan-Tamuz / 5776.




Encontro Regional da WUPJ-AL foi um sucesso!

O 5º Encontro da WUPJ-AL reuniu mais de 200 pessoas durante as atividades realizadas em São Paulo, nos dias 23 a 26 de junho.




A presidente da WUPJ, Carole Sterling, ressaltou que o evento foi importante para "mostrar que os propósitos das instituições da América Latina estão alinhados com a nossas atividades em todo o mundo".

O presidente da WUPJ América Latina, Raul Cesar Gottlieb, apresentou projetos importantes na região, como um curso para formação de rabinos em Buenos Aires e a tradução para o português do Chumash – os Cinco Livros da Torá e parte do Livro dos Profetas - com interpretações à luz do judaísmo reformista.




A força do voluntariado na organização do Encontro foi destacada pela vice-presidente da WUPJ-AL, Miriam Vasserman. Segundo ela, foram mais de trinta pessoas envolvidas e "essa parceria entre voluntários e profissionais, coordenados pela diretora executiva Karin Zingerevitz, que fazem a World Union ser tão grande e relevante em todo mundo. Esse pessoal merece um agradecimento especial".







Abertura teve homenagem à CIP e debate sobre democracia




A WUPJ reuniu lideranças comunitárias e convidados para a abertura do Encontro, realizada na Congregação Israelita Paulista. Um coquetel foi oferecido em homenagem aos 80 anos da instituição.

Em seguida, os participantes foram saudados por Floriano Pesaro, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social, representando o governador Geraldo Alckmin.

Também transmitiram as boas-vindas e mensagens à plateia o presidente da CIP, Sérgio Kulikosvky; a presidente da WUPJ, Carole Sterling; e o presidente da WUPJ-AL, Raul Cesar Gottlieb.

O rabino da CIP Ruben Sternschein apresentou os integrantes da mesa do debate que teve como tema "A continuidade democrática como valor judaico", com o ministro rabino Sergio Bergman, do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Argentina; o vice-presidente da WUPJ, Yaron Shavit; e a jornalista Mona Dorf, responsável pela mediação.

A respeito do judaísmo reformista, Bergman defendeu que "precisamos acabar com as denominações. No judaísmo e na vida em geral. Não precisamos sempre falar judaísmo reformista. Judaísmo é judaísmo. Nossa função é criar comunidades e deixar as portas abertas para quem quiser entrar. E essas portas também servem para que a gente se integre à sociedade ao nosso redor. Sem confundir integração com assimilação".

Shavit falou sobre a necessidade de construir um caminho de mão dupla entre os interesses de Israel e das comunidades judaicas espalhadas pelo mundo, o que ganha força com as práticas do Judaísmo Reformista inseridas na sociedade contemporânea.




Apresentações dinâmicas

O segundo dia do Encontro da WUPJ-AL teve uma rica diversidade de temas abordados por palestrantes convidados que tiveram até 13 minutos para fazer suas apresentações, na Unibes Cultural.

A presidente da Unibes, Célia Parnes, fez uma importante explanação sobre as atividades e projetos da instituição, que brindou a WUPJ-AL ao conceder o espaço para o evento.




O primeiro palestrante foi o presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib), Fernando Lottenberg, revelou detalhes dos bastidores das conversas das lideranças da comunidade judaica brasileira com políticos para a aprovação da nova legislação brasileira antiterrorismo, que trará mais segurança para o Brasil.




O rabino Ruben Sternschein abordou o que é ser um judeu reformista e defendeu a "democracia haláchica", que pode "garantir autenticidade e autonomia"; "porque acreditamos no ser humano"; "porque acreditamos que o sistema é humano e, portanto, falível"; e "porque sempre mudou".




Andreas Heinecke, idealizador da mostra "Diálogos no Escuro", em cartaz na Unibes Cultural, apresentou o conceito de empatia, que na experiência vivenciada pelos visitantes de sua intervenção, acaba substituindo os preconceitos e estereótipos com relação aos deficientes visuais.




A presidente da ONG "Prato Cheio", Dafna Kann, chamou a atenção para a importância do combate ao desperdício de alimentos em todas as etapas do processo desde a produção até o consumo na casa das famílias.




Gustavo Michanie, presidente da instituição JAG (Judios Argentinos Gays), vinculada à Fundación Judaica, trouxe o depoimento de Romina Charur e Victoria Escobar, noivas do primeiro casamento de pessoas do mesmo gênero celebrado em uma sinagoga na América Latina. "Nosso objetivo é que JAG feche as portas, porque não será mais necessário ter uma denominação separada", disse.




O presidente da Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp), Bruno Laskovsky, falou sobre os desafios da comunidade judaica e destacou o desenvolvimento de um aplicativo para atrair os jovens.




Yaron Shavit, vice-presidente da WUJP International, confessou que ia tratar pela primeira vez publicamente de temas relacionados à sua vivência no Exército israelense, falando sobre a preocupação com o impacto das ações militares sobre civis.




O rabino Michel Schlesinger abordou a questão da igualdade de gêneros no judaísmo e declarou: "nós temos a capacidade de fazer coisas simples ficarem complicadas".




O jornalista Eurípedes Alcântara, que foi diretor de redação da revista Veja, esclareceu que os veículos de comunicação não são isentos desde o momento que definem as palavras que vão usar. "Não existe uma única verdade. Se a gente tivesse a verdade, o preço de capa não poderia ser apenas R$ 10", brincou.




Ivo Herzog, diretor do Instituto Vladimir Herzog, enalteceu a necessidade da pluralidade de ideias. "Se todos saírem daqui concordando comigo, eu fracassei. O debate é essencial", afirmou.




Um dos idealizadores do movimento "Vem pra rua", Rogério Chequer revelou que só reconheceu o valor do envolvimento nas questões políticas após 46 anos de idade. "Precisamos mostrar para os jovens a força da mobilização popular e lutar pela reforma política", concluiu.




A presidente da European Union for Progressive Judaism (EUPJ), Miriam Kramer, contou que havia votado contra a saída do Reino Unido da União Europeia antes de embarcar para São Paulo e estava surpresa com o resultado. "Na EUPJ, nada vai mudar. Vamos continuar nossos desafios. Se para vocês, com dois idiomas – espanhol e português – é difícil, imaginem para a gente, que convivermos com mais de dez idiomas".




Sally Gansievich, Diretora da Escola Comunitária Arlene Fern e Diretora do Centro Comunitário Judaica Belgrano em Buenos Aires, e Edy Huberman, diretor executivo da Fundación Judaica, fizeram uma animada apresentação sobre a paixão pelo trabalho comunitário, fazendo uma comparação à torcida por times de futebol.




O educador Denis Plapler fez um questionamento sobre qual tipo de educação os adultos da sociedade contemporânea desejam
oferecer às crianças.






Se eu for só por mim, quem sou eu?




Ainda na Unibes Cultural, a jornalista Mona Dorf fez a mediação de um debate entre o ministro rabino Sergio Bergman e o rabino Roberto Graetz, que já atuou em congregações da Argentina e Brasil e atualmente é presidente da Força Tarefa Yad B' Yad, grupo que apoia as comunidades judaicas na região há mais de uma década.

A conversa tratou do envolvimento dos judeus na vida nos países da América Latina e em Israel, inclusive com a atuação de Bergman no governo de Mauricio Macri.

Para ambos, as diferenças culturais entre Brasil e Argentina podem ter determinado posicionamentos diferentes das comunidades judaicas junto à política nestes dois países.

Eles também elogiaram a desenvoltura do papa Francisco à frente do Vaticano. "É um estadista", afirmou Bergman.




Judaísmo e integração

O 5º Encontro da WUPJ-AL também teve momentos especiais de integração entre os participantes, especialmente durante os serviços religiosos realizados na CIP, com destaque para o Cabalat Shabat e o serviço de shacharit sábado de manhã, que foi seguido por um almoço onde os participantes puderam participar de rodas de conversas.

Foram abordados diversos temas de maneira descontraída, como "Judaísmo e democracia: textos para educadores"; "O sentido da vida"; e "A essência plural do judaísmo na vida e na morte: que Olám haBá esperamos?".




Tikun Olam

Um show musical e a cerimônia de Havdalá foram uma surpresa que os participantes do 5º Encontro da WUPJ-AL ofereceram às pessoas que vivem no Residencial Israelita Albert Einstein.

A presidente do Voluntariado, Telma Sobolh, elogiou a iniciativa. O rabino Arnold Turchick, que realiza os serviços religiosos com os residentes, enfatizou a inclusão das mulheres no Judaísmo Reformista.




A festa contou com a participação do coral de crianças da Unibes e dos músicos Alexandre Edelstein, Ana Karlik, Anabella Avrahami, David Leo Eisencraft, Felipe Grytz, Flavio Levi Moreira, Geórgia Besen, Marcio Besen e Tania Travassos.
















Bergman apresenta desafios para os jovens

No encerramento do 5º Encontro da WUPJ-AL, o ministro rabino Sergio Bergman participou de um bate-papo com jovens no clube "A Hebraica".

"A melhor coisa que eu posso fazer como ministro do Meio Ambiente do governo argentino é ser rabino. As questões técnicas podem ser observadas e cuidadas por pessoas muito bem capacitadas. Como rabino, eu tenho de ser um mestre e líder deste grupo com valores e uma direção clara a ser seguida", explicou ao ser questionado sobre o que ele próprio define como "duplo ministério, o religioso e o de ministro de Estado".

Sobre a necessidade de atrair os jovens para as instituições judaicas, Bergman acredita que é preciso apostar no presente, conhecer o passado e pensar no futuro. "Mas o presente é fundamental. Se ficar só no passado, é só nostalgia. Se ficar só no futuro, é só expectativa. No judaísmo reformista, oferecemos aos jovens a possibilidade de questionar. Não temos respostas fechadas para tudo. Isso é difícil para algumas pessoas", concluiu.




Lashir Benefesh – Solte a voz!

A programação prévia do 5º Encontro da WUPJ-AL contou com a realização do Lashir Benefesh 2016, evento que congrega profissionais e simpatizantes da Chazanut e da música litúrgica judaica. Nesta edição, o seminário contou com cerca de 20 participantes e a convidada especial Rosalie Boxt, que serve hoje como Chazanit em uma Congregação de 520 famílias em Kensington, Maryland, perto de Washington, D.C., EUA.